Neste domingo, dia 28, ás 23h30 o programa CULTURA MEMÓRIA na TV CULTURA mostra o acervo de arte contemporânea da Universidade de São Paulo, o MAC/USP. Também conta a história de sua criação por Ciccillo Matarazzo e Yolanda Penteado (Museu de Arte Moderna), seu desdobramento nas bienais até a posterior doação de seu acervo para a USP. Mostra as obras-primas do acervo, como as telas de Tarsila do Amaral, Picasso, Modigliani, Flávio de Carvalho e esculturas de Boccioni.

Entre as telas de Tarsila presentes no MAC/USP estão A Negra, de 1923

negra

“O movimento antropophagico teve a sua phase pre-antropophagica, antes da pintura Pau-Brasil, em 1923, quando executei em Paris um quadro bastante discutido, A Negra, figura sentada com dois robustos tóros de pernas cruzadas, uma arroba de seio pesando sobre o braço, lábios enormes, pendentes, cabeça proporcionalmente pequena. A Negra ja annunciava o antropophagismo.” Texto datiloscrito por Tarsila do Amaral. Apud Gotlib, N. 2000, p. 82.

A Floresta, 1929

afloresta

“É o mesmo cântico da natureza tropical transbordante o que aflora em Manacá (1927) [P094], a flor/pênis ereta, vibrante em seu colorido rosa/azul/verde, magnífica em sua audácia compositiva envolvente. Os mesmos tons dominantes estariam presentes em Floresta (1929), de similar conotação telúrica/fálica, também perceptível em Sol poente [P117], do mesmo ano.” Amaral, Aracy. Tarsila revisitada. In: Salzstein, S. 1997b, p. 30.

Estrada de Ferro Central do Brasil, 1924

Central do Brasil

“[E.F.C.B.] é do ano mesmo da viagem ao Rio e a Minas com o poeta suíço-francês Blaise Cendrars e os modernistas. Evoca fortemente Léger com sua composição estruturada a partir de signos urbanos modernos: postes, pontes, sinalizações ferroviárias. A geometrização de elementos é bem evidente, assim como a simplificação das formas, o que seria uma constante em suas composições, elevando muito alto a linha do horizonte e dispondo ordenadamente os diversos elementos de alto a baixo. Todavia, a esta aparente racionalização do tema se contrapõe a cor ‘caipira’ e lisa da fase pau-brasil, identificada com o nativismo modernista, sempre luminosa e sem sombra.” Amaral, A. 1988a, p. 220.

Fonte e Texto: TV Cultura e Tarsila do Amaral Catalogue Raissoné