A obra “O Vendedor de Frutas”, 1925, poderá ser vista na Exposição “Genealogias do Contemporâneo – Coleção Gilberto Chateaubriand” no MAM Rio a partir do dia 17/10. Esta pintura nos mostra o Brasil, país tropical cheio de riquezas incluindo a agricultura, a religião (com a igreja atrás, em plano de fundo), a paisagem litorânea representada pelos coqueiros e o mar, a luz intensa, o trabalhador e o papagaio, todos eles eternos símbolos do tropicalismo.

“Genealogias do Contemporâneo – Coleção Gilberto Chateaubriand” é uma exposição panorâmica que reúne artistas fundamentais da arte brasileira entre os anos 1920 e 1970. Faltam nomes importantes que não couberam no recorte estabelecido. Toda curadoria é uma escolha subjetiva pautada em hipóteses objetivas. As obras são agrupadas tendo em vista o valor intrínseco de cada uma delas e as ideias que determinadas relações permitem discutir.

Dividimos a exposição em quatro núcleos que põem em evidência questões que atravessam o imaginário poético moderno e contemporâneo, a partir do contexto cultural específico em que as obras foram produzidas. São elas: 1 – Brasil: visões e vertigens; 2 – Cidades partidas: conflitos e afetos; 3 – Corpos híbridos: identidades em trânsito; 4 – Respirações geométricas.
Não se pretende com isso “tematizar” as obras, mas perceber como elas enfrentam e abrem perspectivas originais de compreensão do mundo atual. O local e o global alimentam-se de desafios e inquietações comuns.

Artistas e obras podem participar simultaneamente de vários núcleos. Estas genealogias do contemporâneo querem também mostrar as raízes modernas do presente e o quanto ele é múltiplo, inacabado e crítico.

Uma última seção, separada do todo, propõe um mergulho na coleção, para daí destacar um artista, uma fase ou um problema da arte brasileira. Nesta primeira prospecção, trouxemos à luz Roberto Magalhães e sua surpreendente produção gráfica entre os anos 1963 e 1967, tendo em vista a contundência política de sua linha raivosa e delirante.

Luiz Camillo Osorio, Curador

Veja abaixo duas obras da Tarsila em exposição.

O Vendedor de Frutas

Tarsila do Amaral, O vendedor de frutas, 1925, óleo sobre tela, 108,5×84,5cm Coleção Gilberto Chateaubriand MAM RJ.

Urutu

Urutu, 1928. óleo sobre tela. 60,5 X 72,5 cm. Coleção Gilberto Chateaubriand MAM RJ.

Brasil: Visões e Vertigens
A procura pelo Brasil e o desespero da sua não-identidade acompanharam, desde o modernismo, a gesto poético de parte significativa da arte brasileira.

Cidade Partida: conflitos e afetos
A crônica visual de uma sociabilidade na qual o atrito e o afeto se complementam.

Corpos Híbridos: identidades em trânsito
O corpo como campo de batalha de uma subjetividade desejante e desencontrada.

Respirações Geométricas
O legado concreto e neoconcreto na afirmação de uma modernidade singular no Brasil.

Mergulho na Coleção

Espaço destinado a artista com obra destacada na coleção, para uma mostra com recortes variáveis. Na primeira edição apresentamos uma seleção de trabalhos de Roberto Magalhães, a edição atual apresenta trabalhos de Maria do Carmo Secco.

Patrocínio: Mantenedores do MAM. Petrobras, Bradesco Seguros, Light e Organização Techint.