Desde a abertura, em 28 de abril, o espaço tem recebido, em média, 400 visitantes por dia. Quem chega deve circundar um canteiro de flores vermelhas, com estátuas e uma fonte, para chegar ao imponente casarão. A fachada rosa contrasta com o paredão verde da floresta da Tijuca, que emoldura o prédio como uma continuação do jardim. Em um dia claro, é possível enxergar o Cristo Redentor ao longe, acima do telhado.

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A Coleção Roberto Marinho começou como uma aposta em artistas promissores da primeira metade do século 20, nomes como Portinari e Guignard, que assimilavam as vanguardas europeias ao mesmo tempo em que buscavam uma linguagem e temáticas distintamente brasileiras. Hoje, conta com 1.473 obras, entre pinturas, esculturas, gravuras e desenhos. Apesar de incluir estrangeiros, como Chagall, De Chirico e Léger, o foco do acervo é o modernismo brasileiro, especialmente o dos anos 1930 e 1940, e o abstracionismo informal – movimento das décadas de 1950 e 1960, composto por nomes como Antonio Bandeira, Iberê Camargo, Manabu Mabe e Tomie Ohtake.

Para adquirir as obras, Marinho contava com a ajuda de especialistas, mas era dele a palavra final. Quando a coleção ficou grande para as paredes da casa, passou a ser guardada em um local específico e era frequentemente emprestada para instituições. Entre 1984 e 2014, foram organizadas doze mostras da coleção em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza, Buenos Aires e Lisboa.

Atualmente, duas exposições estão em cartaz no casarão e poderão ser visitadas até o início de dezembro. Em uma pequena galeria do térreo, 10 Contemporâneos – A Casa reúne gravuras inéditas sobre o tema “casa”. Encomendadas a 10 artistas contemporâneos (nomes do primeiro escalão, como Daniel Senise e Anna Bella Geiger), passaram a integrar a coleção Roberto Marinho. Mostras assim, em que artistas de hoje dialogam com o instituto e seu acervo, devem ser comuns na instituição. No jardim, também há novas obras, encomendadas especificamente para o local, como a instalação de Carlos Vergara que conversa com um conjunto de bambus e a escultura Mulher Nova 3 (2017), de Raul Mourão, que se move com o vento, apesar de ser de aço e ter 350 metros de altura.

Ocupando todo o segundo andar, está a exposição principal: 10 Modernos – Destaques da Coleção. Cavalcanti selecionou 124 obras dos artistas que melhor representam o acervo de Roberto Marinho e são também expoentes do modernismo brasileiro dos anos 1930 e 1940: Di Cavalcanti, Alberto Guignard, Cândido Portinari, Tarsila do Amaral, Djanira, Burle Marx, Milton Dacosta, José Pancetti, Lasar Segall e Ismael Nery.

Como a coleção foi constituída a partir do gosto pessoal de Marinho, é inevitável se perguntar, por exemplo, o que lhe teria cativado em obras tão diferentes quanto um vaso de flores pintado por Portinari em 1950 e a soturna tela A Barca, do mesmo artista, de 1941. Ou por que preferiu adquirir três telas com o mesmo tema pintadas por Tarsila do Amaral.

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São paisagens com casas em montanhas, como O Touro (Paisagem com Touro), uma raridade de 1925 que o Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) solicitou para sua retrospectiva da artista.

Esse quadro iria para o MoMA, mas não queríamos desfalcar a exposição na abertura da casa. É uma pintura emblemática da primeira fase da Tarsila, uma das 10 obras mais importantes da pintora – explica o curador.

Texto: Luiza Piffero
Fonte: Portal Gauchazh Artes
Foto: Divulgação