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Até o mês de junho, o Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) dedica um espaço exclusivo à obra de um dos maiores ícones da pintura brasileira. A arte de Tarsila do Amaral (1886-1973), nome fundamental para o movimento modernista no Brasil, chega aos Estados Unidos por meio de suas principais telas.

Em solo recifense, ela será relembrada através de outra exposição, com um perfil diferente, que abre para o público o lado pessoal da artista plástica paulista. A mostra “Um olhar intimista sobre Tarsila do Amaral” pode ser vista pelo público até 7 de abril, na loja de decoração Florense Recife, com entrada gratuita.

Neste momento, os grandes quadro de Tarsila estão no MoMA. Para Pernambuco, veio uma parte do acervo familiar dela. Coisas que têm um aspecto íntimo muito forte e ajudam a contar um pouco da sua vida. São peças que não possuem preço“, explica a sobrinha-neta da artista, que herdou o nome da tia. Tarsilinha, como também é conhecida a museóloga, é atualmente a detentora de todos os direitos sobre as obras da modernista. Sua responsabilidade consiste em preservar a memória e o legado da pintora.

Ao longo dos 20 anos, tempo em que assumi essa tarefa, recebi muitas coisas que pertenciam a ela. É um trabalho danado cuidar para que nada seja danificado. Faço isso da melhor maneira possível e o que mais me deixa feliz é poder compartilhar com as pessoas essas lembranças“, confidencia.

No acervo da exposição, que conta com curadoria do designer Beto Cocenza, estão presentes 12 trabalhos – entre gravuras, desenhos e escultura – e 18 objetos pessoais, como pincéis, agenda telefônica, duas mesas e fotografias. Entre as obras expostas, há uma gravura do “Abapuru”, mais famoso quadro da autora.

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É uma peça que não estava na herança da família. Eu que encontrei e adquiri. A minha vida inteira só vi três dessas gravuras. Uma delas, inclusive, está aqui na coleção de uma pessoa do Recife“, conta. Também foram trazidos para a capital pernambucana exemplares de produtos licenciados, como roupas e tapeçarias inspiradas nos quadros da artista.

Em fevereiro, Tarsilinha conferiu a abertura da primeira exposição da sua tia-avó nos Estados Unidos e ficou emocionada com a boa recepção dos norte-americanos. “É um momento ímpar na trajetória da minha tia. É lindo ver o que ela fez exposto no maior museu de arte moderna do mundo, que tem um poder de propagação enorme. O nome dela é conhecido ao redor do mundo, mas não tanto quanto deveria, levando em conta a importância que ela teve. Tenho certeza que, após essa experiência, isso vai mudar. É ótimo para a memória dela e para arte brasileira de uma forma geral”, aponta.

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Obras que conquistam os pequenos

Uma das principais preocupações de Tarsilinha é garantir que a obra de sua tia-avó seja conhecida pelas novas gerações. “Hoje em dia, felizmente, Tarsila do Amaral é muito estudada nas escolas. Fico muito contente quando vejo uma criança ou um adolescente interessado em saber mais sobre ela“, dizia a museóloga durante coletiva de imprensa realizada na Florense, ontem, pouco antes de ser interrompida por um fã inusitado.
Acompanhado pela mãe e por um primo, o pequeno Caio Soares, de 4 anos, chegou na loja de decoração com um presente para a museóloga: uma reprodução do quadro “Abaporu”, que ele mesmo fez. “No ano passado, o colégio onde ele estuda trabalhou com os alunos as principais obras de Tarsila do Amaral. Ele ficou muito impressionado com as telas, principalmente, o ‘Abaporu’. Agora, vive pedindo que eu compre material para ele pintar“, conta a mãe do garoto, Rossana Soares, que quando soube que a sobrinha-neta da pintora estaria no Recife, entrou em contato com a Florense para promover o encontro.

Serviço:
Exposição “Um olhar intimista sobre Tarsila do Amaral”
Visitação até 7 de abril, de segunda a sexta-feira, das 8h às 19h, e aos sábados, das 9h às 13h.
Florense Recife (Av. Eng. Domingos Ferreita, 4242, Boa Viagem)
Entrada gratuita
Informações: (81) 3302-3800

Por: Daniel Medeiros, Folha de Pernambuco.