O lago - Tarsila do Amaral

ORIGENS

Tarsila do Amaral nasceu no ano de 1886, em Capivari, no interior de São Paulo. Vinda de uma família rica, tinha sete irmãos e, juntos, cresceram ouvindo sua mãe tocar piano e contar histórias de romances, além dos poemas em francês que o pai recitava.

ESTUDOS

Aprendeu a ler, escrever, bordar e falar francês com uma mestre belga e, mais tarde, completou os estudos em Barcelona.

CASAMENTO

Na Europa, conheceu e casou-se com um médico, que não concordava com seu desenvolvimento artístico pelo fato de ser muito conservador e querer que ela ficasse em casa cuidando de afazeres domésticos. Revoltada, esperou sua filha nascer e, em seguida, separou-se e voltou ao Brasil.

ARTE E INÍCIO DE CARREIRA

Tarsila iniciou seus estudos em pintura com o artista Pedro Alexandrino Borges e, em seguida, com o alemão George Fischer. A partir disso, decidiu ir estudar em Paris, na Academia Julian e, depois, na Émile Renard.

De volta ao Brasil, estreitou sua relação com o movimento modernista, conheceu muitos artistas e, algum tempo depois, voltou a Paris, onde estudou com artistas cubistas, conheceu Pablo Picasso e aproximou-se de Fernand Léger, de quem conservou a técnica lisa de pintura.

SEMANA DE ARTE MODERNA E O GRUPO DOS 5

No ano de 1922, Tarsila juntou-se aos artistas Anita Malfatti, Oswald de Andrade, Mario de Andrade e Menoti Del Picchia, que passaram a frequentar seu atelier e formaram o Grupo dos Cinco, que lançou a Semana de Arte Moderna. Para Tarsila, o grupo era “um bando de doidos em disparada por toda parte no Cadillac verde de Oswald”.

CASAMENTO COM OSWALD DE ANDRADE

O anulamento do casamento com seu primeiro marido demorou para sair, mas assim que saiu, Tarsila oficializou a união com Oswald de Andrade. A relação durou 4 anos e a separação aconteceu porque Oswald apaixonou-se e decidiu casar-se com uma estudante chamada Pagu.

ACERVO PESSOAL

Tarsila possuía um dos mais conceituados acervos pessoais do Brasil. Nele, encontravam-se obras de Léger, Picasso, De Chirico, Delaunay, Modigliani, Gleizes, Lhote, Ingres e também dos brasileiros Almeida Junior e Anita Malfatti.

PRIMEIRA EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL E NACIONAL

A primeira mostra feita individualmente por Tarsila foi em Paris, onde exibiu 17 telas na galeria Percier, referentes a sua fase “pau-brasil”, inspirada por uma viagem feita ao interior de Minas Gerais. No Brasil, estreou expondo 35 quadros no Palace Hotel, no Rio de Janeiro.

PRÊMIO NA BIENAL

Foi considerada a pintora mais representativa da primeira fase do Modernismo no Brasil e recebeu o Prêmio de Pintura Nacional na I Bienal de São Paulo, em 1951.

CACHAÇA

A pintora costumava levar cachaça brasileira em suas viagens ao exterior. Ela enganava os funcionários da alfândega dizendo que era “álcool para passar na pele”.

ABAPORU

A tela Abaporu, sua mais famosa, foi leiloada na Christie’s de Nova York em novembro de 1995. O investidor argentino Eduardo Constantini arrematou-a por 1,5 milhão de dólares. É a pintura mais cara já feita por um artista brasileiro.

Para quem não sabe, a obra foi feita como presente de aniversário para Oswald de Andrade, seu marido na época. Juntos, decidiram batizá-la com a palavra tupi-guarani cujo significado é “homem que come”. O nome também inspirou o escritor a redigir o Manifesto Antropofágico, em que propunha a “deglutição” da cultura europeia e sua reformulação com toques nacionais.

CRISE

Com a crise de 1929, Tarsila e sua família perderam praticamente todos os seus bens e dinheiro que tinham. Assim, vendeu alguns de seus quadros para viajar para a União Soviética com seu novo marido, o psiquiatra Osório César, que a influenciou a ter diferentes formas de pensamento político e social.

O casal viajou para muitos lugares e chegou, novamente, em Paris, onde Tarsila sensibilizou-se com os problemas da classe operária. Sem dinheiro, trabalhou como operária de construção, pintora de paredes e portas. Logo conseguiu o dinheiro necessário para voltar ao Brasil.

ÚLTIMOS ANOS DE VIDA

Vivendo sozinha, superando a morte de sua filha e também a outra separação, foi submetida a uma cirurgia de coluna, ficou paraplégica por um erro médico. Nesse momento de sua vida, aproximou-se do espiritismo, tornou-se amiga de Chico Xavier e passou a vender seus quadros e doar o dinheiro que recebia. Diagnosticada com depressão, faleceu em 1973 e foi enterrada com um vestido branco, que ela mesma escolheu.

Texto: Nathália Tourais
Fonte: Guia da Semana